quinta-feira, 5 de junho de 2008

A queda do Liberalismo-Eric J. Hobsbawm

Hobsbawm vai iniciar o texto falando que o fato que mais chocou a Era da Catástrofe foi o colapso das instituições da civilização liberal, que havia sido baseada em valores como a desconfiança a ditadura, compromisso com um governo constitucional, liberdade de expressão etc. Esses valores haviam proporcionado progresso durante todo o século e estavam destinados a avançar mais, antes de 1914 era contestado apenas pela Igreja Católica e por outros poucos grupos.
As instituições da democracia liberal haviam avançado politicamente e o barbarismo ocorrido entre 1914-18 apenas apressou esse avanço, com exceção da Rússia todos os regimes que emergiram da Primeira Guerra eram basicamente parlamentarista representativos eleitos.
Porem Hobsbawm vai atentar que nos 23 anos que separam ao inicio da “Marcha para Roma” de Mussolini e o auge do sucesso do Eixo na II Guerra Mundial vê-se uma retirada acelerada das instituições políticas liberais. Nas Américas haviam poucos estados independentes não autoritários.
Pode-se dizer que durante o entreguerras houve no globo muitas movimentações às vezes para a direita e outras para a esquerda, rumo a regimes autoritários. O liberalismo fez uma retirada durante a Era das Catástrofes e esta se acelerou depois que Hitler se tornou chanceler.
O autor vai atentar para o fato que nesse período as ameaças as instituições liberais vinha apenas da direita, e que apenas entre 1945-1989 essa ameaça veio do comunismo, a URSS depois da ascensão de Stalin não podia nem queria espalhar o comunismo, então o perigo vinha exclusivamente da direita, e é importante lembrar que todas a forças que derrubaram os regimes liberais eram fascistas.Hobsbawm vai destacar os movimentos que segundo ele podem verdadeiramente ser chamados de fascistas. O primeiro deles seria o movimento que se deu na Itália, porem o autor vai destacar que sem o triunfo de Hitler o fascismo e a ascensão internacional da Alemanha o fascismo não teria se tornado um movimento geral e nem causado impacto fora da Europa. Houve movimentos fascistas também na Hungria, Romênia, Croácia dentro outros.
O movimento fascista compartilhava em todos os países do anticomunismo, antiliberalismo, e do nacionalismo, o racismo que é um elemento tão fundamental aparentemente esteve ausente no fascismo Italiano em seu principio.
A diferença fundamental, que o autor vai destacar, entre a direita fascista e a não fascista é que para a fascista era imprescindível a mobilização das massas.
O ódio aos judeus estava ligado ao fato deles representarem o compromisso com as idéias iluministas e a Revolução francesa que os haviam emancipados e os tornado cada vez mais visíveis eles eram o símbolo do capitalista/ financistas, do agitador revolucionário, da influencia dos intelectuais sem raízes, dos novos meios de comunicação e da competição então a antipatia aos judeus já era difusa no mundo ocidental.
Hobsbawm vai dizer que a ascensão da direita radical após a 1ª Guerra Mundial foi a resposta ao perigo da revolução social e do poder do operariado e sem essa ameaça não teria havido fascismo algum. Porem não pode subestimar o impacto da 1ªGM sobre uma importante camada de soldados e jovens nacionalistas e em grande parte a classe média e média baixa que tinha perdido a sua oportunidade de heroísmo, outro fator que não se pode esquecer é que a direita não respondeu ao bolchevismo como tal, mas há todos os movimentos que ameaçavam a ordem existente.
O anti-semitismo, anti-socialismo e anti-liberalismo já existia antes da 1ªGM porem a ultra direita não havia conseguido chegar ao poder, o que trouxe as condições para o triunfa da ultra direita foi o Estado Velho com os seus mecanismo dirigentes não mais funcionando, uma massa de cidadão desencantados, desorientados e descontentes, não mais sabendo a que ser leal, fortes movimentos socialistas e uma inclinação do ressentimento nacionalistas contra os tratados de Paz.
Hobsbawm vai atentar para o fato do fascismo ter trazido algumas grandes vantagens para o capital, primeiro eliminou e derrotou a revolução social, segundo eliminou o capital e outras limitações para os empresários, terceiro destruiu os movimentos trabalhistas e assegurou uma solução favorável da depressão para o capital.
Hobsbawm também vai falar que provavelmente o fascismo não teria significado muito para a história mundial se não fosse a grande depressão, a Itália sozinha não teria tido força para abalar o mundo.
Alcir Lenharo também atenta para esse fato e mostra que durante o período de 1924 quando a Alemanha começa a se recuperar economicamente o partido nazista perde força política, e quando da Grande depressão a sua representatividade ganha força, Hobsbawm vai dizer que a Grande depressão transformou Hitler de um fenômeno da periferia política no senhor potencial, e finalmente real do país.
Depois da Grande depressão se vê no mundo uma grande propagação de ditaduras de direita, tanto feita por alas conservadoras como por militares, o que mostra a queda do liberalismo.

Um comentário:

Tarsila disse...

Oi Pepino, achei seu blog por acaso, e adorei, parabéns!!!

Aqui quem fala é a Tarsila, sua calora de 2007; não sei se lembra de mim.

Grande abraço, tudo de bom!